Por que as empresas brasileiras não voam para a África?
Uma vez ouvi uma inconfidência do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a seu colega de Gana. Era o final de um encontro do presidente Lula com o presidente John Kufuor, em seu palácio presidencial em Acra, capital do país do oeste africano, e o grupo jogava conversa fora. Enveredaram pelas rotas turísticas entre os dois continentes, quando Amorim desabafou:
"As empresas aéreas brasileiras são muito conservadoras com relação à África", disse.
Impossível não dar razão ao ministro. As ligações aéreas entre o Brasil e o continente africano são reduzidíssimas. Na verdade, são cada vez menores, muito embora o fluxo de comércio entre os dois lados do Atlântico Sul cresça sem parar.
Até três meses atrás, a South African Airways tinha dois vôos diários entre São Paulo e Johannesburgo, mas agora tem apenas um. Sempre lotado, evidentemente. Ainda assim, trata-se da melhor alternativa para quem quer chegar à África sem ter de fazer conexões malucas na Europa.
Outra com vôo direto é a TAAG, de Angola, que oferece a linha Rio de Janeiro-Luanda cinco vezes por semana. Esse vôo então, esquece. Está sempre lotado com meses de antecedência, porque é uma rota procuradíssima por empresas brasileiras com negócios em Angola, que bloqueiam assentos para seus executivos.
Há uma terceira ligação direta entre o Brasil e a África, esta bem curiosa, pela TACV, de Cabo Verde. Liga a Ilha do Sal, uma das que fazem parte do arquipélago situado no meio do Atlântico, a Fortaleza, que fica a apenas quatro horas de vôo. Esse é o famoso “vôo da muamba”, já que vários cabo-verdianos baixam em Fortaleza para comprar produtos brasileiros e revendê-los em seu país.
E é só.
É difícil entender o capitalismo brasileiro. Quer oportunidade melhor de ganhar dinheiro do que uma rota diária de São Paulo para Luanda? Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o fluxo comercial entre Brasil e Angola (exportações mais importações) subiu de US$ 118 milhões em 1997 para US$ 2,16 bilhões no ano passado. Em uma década, um salto de 18 vezes!
Com relação à África sub-saariana como um tudo, o crescimento também foi espetacular na última década, de um fluxo comercial de US$ 3,5 bilhões em 1997 para US$ 19,9 bilhões no ano passado.
Há uma esperança de que a coisa comece a mudar
As rotas internacionais de vôo oferecem um retrato de um tempo que não existe mais. Ficou para trás a época em que as relações comerciais e políticas entre Brasil e África precisavam ser mediadas por uma escala na Europa.
Hoje, há uma relação direta, que você pode chamar de terceiro-mundista se quiser, ou de Sul-Sul, para usar um jargão mais charmoso. Ela está aí para ficar. Seria bom se as companhias aéreas rapidamente se dessem conta.
Escrito por Fábio Zanini às 20h05
Zakumi, o mascote esquisitão da Copa
Eis o novo mascote do futebol mundial, apresentado no início da semana:

Zakumi é o nome dele. Será o símbolo da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Diz o povo da Fifa que esse leopardo esquisitão representa “o povo e o espírito sul-africanos”. O corpo amarelo e o cabelo verde não são uma referência à seleção brasileira, antes que você pergunte. São aos bafana bafana, a seleção local, que se veste nessas cores.
A escolha de um leopardo é intrigante. Não é um animal tão associado à África como o leão, o elefante ou a girafa. Pelo contrário, leopardos são animais distantes do imaginário africano, simplesmente porque é tão difícil vê-los.
No marketing dos safáris africanos, há cinco animais considerados os mais majestosos e por isso mais interessantes de serem vistos: leão, elefante, búfalo, rinoceronte e leopardo. São os “big Five”, uma expressão que dá nome a restaurantes, lojas e cartões telefônicos por todo o continente. Dos cinco, os leopardos são de longe os mais difíceis de serem avistados.
Rastejam entre a mata alta das savanas, escondem-se entre os galhos mais altos das árvores, gostam de sair à noite e são extremamente tímidos com a presença do homem. Quem quer que tenha visto um leopardo solto, vivendo livremente na selva, pode se considerar uma pessoa de sorte (se estiver a salvo dentro de um carro, claro).
Na África do Sul eles vivem protegidos em reservas como o parque Kruger, mas estão por todo o continente. Simbolizam força, coragem e poder. Em várias sociedades tradicionais africanas, sua pele é um poderoso símbolo de status. São visados por caçadores e ameaçados de extinção em diversas partes do continente. Mobutu Sese Seko, um dos ditadores mais espertos que o século 20 já viu, fez do chapéu de pele de leopardo um símbolo de seu poder durante as três décadas em que mandou no Zaire (atual Congo).
Mas Zakumi é um primor do politicamente correto. Segundo a fábula contada pela Fifa, ele nasceu em 1994, o ano em que Nelson Mandela chegou à presidência da África do Sul. A primeira sílaba, Za, é uma referência ao nome do país em africâner, a principal língua da minoria branca (numa crueldade histórica, za é também a identificação do país na internet; isso porque o ingresso do país na rede mundial de computadores, no início dos anos 90, ocorreu quando o regime do apartheid dava seus últimos suspiros).
O resto da palavra, Kumi, é um aceno às línguas africanas do país. Significa “dez” em várias delas, uma referência óbvia à camisa mais importante de um time de futebol, e ao ano em que a Copa se realiza.
Eu, sinceramente, não vi muita graça em Zakumi. Não que seja feio como o da Copa de 90, um mascote horroroso para um Mundial tenebroso. Aliás, que cazzo era aquilo?

Mas é que Zakumi saiu com uma cara de Teletubbies que vou te contar...
Para mim, nada supera Naranjito, o inesquecível, da Copa de 82.

Graaaaande Naranjito. Esse sim, tinha atitude, e até uma cara meio de malandro. Pena que não traga boas recordações daquele Mundial.
E você, gostou de Zakumi?
Escrito por Fábio Zanini às 23h36
E agora, Mbeki?
O fim de semana foi um terremoto político na África. Caiu Thabo Mbeki, presidente eleito há quatro anos por 70% dos sul-africanos, e com ainda um ano de mandato pela frente.
É o melancólico fim de uma brilhante carreira de um brilhante líder político, com comportamento nada menos do que heróico na luta contra o apartheid, e que tinha todas as condições de entrar para a história sul-africana como aquele que deu o passo seguinte na reconciliação nacional promovida por seu antecessor, Nelson Mandela. Mas que se perdeu na inabilidade política, falta de empatia e arrogância.
Em nenhuma circunstância seria fácil seguir nos passos de Mandela, e Mbeki sabia disso. Segundo seus aliados políticos, ele costuma repetir uma frase quase como um mantra. “Nunca serei amado como Mandela. Resta-me ser respeitado como Mbeki”.
Thabo Mbeki nasceu há 66 anos na província de Eastern Cape, filho de comunistas. Seu pai, Govan Mbeki, falecido em 2001, é um dos lendários heróis da luta anti-apartheid, preso durante 23 anos junto de Mandela, com quem travou uma histórica disputa política durante décadas pelo controle do movimento de resistência à segregação.
Em 1962, pouco antes da prisão de seu pai, Thabo foi enviado para o exílio como um dos líderes da nova geração de ativistas. Thabo e Govan só se veriam de novo em 1990. Àquela altura, o manto de sucessor de Mandela, de quem ele virou vice-presidente, já estava sobre ele.
Em 1999, com a aposentadoria do ícone, Thabo Mbeki vence as eleições e se torna presidente. Seus dois governos conseguem feitos extraordinários, na construção de casas, no crescimento econômico e na formação de uma genuína classe média negra. No plano externo, ele media conflitos no Burundi, Libéria, Costa do Marfim e Congo. A revista The Economist sugere que Mbeki receba o Nobel da Paz.
Mas há um outro lado dessa personalidade perturbada que é Mbeki. Por um lado defende uma Renascença Africana, livre dos fantasmas da colonização e das experiências fracassadas de socialismo, um continente aberto ao mundo e sem medo de se integrar.
Por outro, enxerga conspirações do mundo rico (e branco) a todo momento. Abraça uma teoria estapafúrdia sobre a Aids, negando o elo causal entre o vírus HIV e a doença, que, para ele, seria uma forma apenas de a indústria farmacêutica internacional ganhar dinheiro.
Milhares de sul-africanos morrem por falta de antiretrovirais, e a epidemia sai de controle. Sua ministra da Saúde e protegida Manto Tshabalala-Msimang sugere suco de limão e uma dieta de legumes como remédio contra a doença. (No país ela é conhecida como Doutora Beterraba).
Seu comportamento na crise zimbabuana é simplesmente calamitoso. Em nome da solidariedade com um colega de libertação nacional, Robert Mugabe, fecha os olhos à ditadura e à hiperinflação no país vizinho.
Mas no final, há um derrotado maior do que Mbeki, que é a democracia sul-africana. Mbeki caiu não por causa de seu desempenho como governante, que tem altos e baixos, mas por uma briga paroquial com seu ex-aliado e ex-vice Jacob Zuma, o provável próximo presidente sul-africano (na foto, do site do jornal queniano Daily Nation, é Mbeki em primeiro plano e Zuma no fundo).

A inabilidade de Mbeki, que alimentou uma guerra de egos com Zuma e perdeu, sem dúvida contribuiu em muito para sua queda. Mas que país é esse em que um presidente eleito com 70% dos votos é obrigado a renunciar por uma querela palaciana?
É preciso fazer um parênteses aqui sobre como funciona a democracia sul-africana. Lá, quem dá as cartas não é o governo, ou o Parlamento, mas o partido. No caso, o Congresso Nacional Africano, de Mandela, Mbeki e Zuma. É um partido que se confunde com o Estado, e que por ter liderado o movimento anti-apartheid, ficará no poder ainda por muitos e muitos anos. Sem oposição consistente, faz o que quer da vida. Acaba de forçar a renúncia de Mbeki simplesmente porque é controlado por Zuma. E ponto final.
A democracia sul-africana de longe é a mais forte do continente, mas a semana que passou mostrou como é frágil.
E o que será de Mbeki? Certamente vai ganhar algum posto de prestígio em alguma organização internacional. Mas seus dias como um líder político para revolucionar um país estão acabados.
Escrito por Fábio Zanini às 19h54
Onde a portabilidade de celular já funciona. E bem
É fácil encontrar coisas que não funcionam na África, mas de vez em quando esse continente pode dar exemplo.
Peguemos esse debate sobre a portabilidade dos telefones celulares no Brasil, por exemplo. Estamos no meio de um processo que dará mais liberdade ao consumidor, estimulará a competição entre as operadoras e reduzirá em muito a burocracia. De maneira lenta, estamos migrando para um sistema em que o usuário do celular pode trocar de operadora como quem troca de roupa, sem precisar mudar de número. O celular será desbloqueado.
Bem, estamos a anos-luz da telefonia na África. Tirando algumas exceções de países com regimes malucos (como Zimbábue) ou que ainda não fizeram a transição completa da economia socialista (Etiópia), comprar um celular, trocar um chip ou mudar de operadora são coisas ridiculamente simples e baratas por lá. Até na Somália, um país há duas décadas sem um governo de verdade.
Em algum momento da década de 90, lá por 1995 ou 1996, a África deu um salto de qualidade em sua telefonia. A estrutura física para a telefonia fixa, com seus postes e fiação quilométrica, sempre foi muito cara e complexa num continente com enormes distâncias a serem percorridas e todo tipo de acidentes naturais. Os celulares passaram a ser a alternativa óbvia para conectar esse continente. Rapidamente caíram no gosto de uma população sedenta por estabelecer comunicação entre pessoas nas cidades e suas mulheres, maridos, pais, mães e filhos na zona rural.
A África tem estradas péssimas, mas tem telefonia celular de qualidade. Tem índices pífios de acesso à internet, com qualidade de conexões abaixo da crítica, mas possui quase 100 milhões de aparelhinhos de celular, cada vez menores. Num continente com 700 milhões de pessoas, o crescimento ainda será grande.
Na África funciona assim: você vai numa loja de celulares, paga o equivalente a R$ 50 por um modelo pré-pago simples, desbloqueado, e sai falando. Até aí nada de mais. O impressionante mesmo é a indústria que se formou para venda de acessórios, chips (os chamados sim cards) e cartões telefônicos.
Compra-se em barracas de camelô mesmo, que só não digo que existem em cada esquina porque na verdade existem a cada MEIA esquina (veja uma foto que fiz em Acra, capital de Gana).
Paga-se preços ridículos, em alguns lugares 2 ou 3 dólares, por um chip, numa transação que dura 10 segundos. Como se estivesse sendo comprada uma banana. Sem tirar xerox de documento, preencher formulário ou responder perguntas.
Em quase cinco meses de viagem da África do Sul até o Egito, por 13 países africanos, juntei dez chips de celular. Muitas vezes na fronteira mesmo comprava o chip para o novo país, junto com tempo de conversa, curiosamente chamado de “air time” (literalmente, tempo de ar, ar sendo conversa, no caso). Algumas vezes não eram nem cartões pré-pagos, mas apenas um número, numa tirinha de papel, que correspondia ao crédito.
Na fronteira entre a Zâmbia e a Tanzânia, um homem subiu no trem em que eu estava e fizemos negócio ali mesmo dentro do meu vagão.
Isso sem falar na proliferação de barracas especializadas em vender crédito com descontos especiais, em fórmulas mirabolantes que significam alguns centavos de dólar de economia no final do mês, cruciais naquele continente.
Compare isso com o Brasil, um mercado extremamente regulado, em que qualquer tentativa de liberalização é recebida com corporativismo e resistência das operadoras.
Na África, a competição é feroz e extremamente benéfica para o consumidor. A sul-africana MTN, uma das gigantes mundiais do setor, está presente em praticamente todos os países do continente, mas nem por isso pode relaxar. Tem de competir de igual para igual com companhias nacionais menores, para poder sobreviver.
Na África, o celular ajudou muito a dinamizar a economia. Produtores rurais que vendiam seus alimentos a preço de banana para atravessadores inescrupulosos agora checam por mensagem de texto a cotação de seus produtos antes de fazer qualquer negócio. A transferência de renda para camadas mais pobres foi brutal.
A África, se quiser sair da situação de penúria em que se encontra, precisará um dia de um choque de capitalismo em todos os seus setores. Na telefonia celular, isso já ocorreu.
Escrito por Fábio Zanini às 23h36
O próximo líder da África
Na última sexta-feira, dia 12 de setembro, a Justiça de Pietermaritzburg, na África do Sul, anunciou uma das mais importantes decisões da história africana. Desqualificou um processo de corrupção contra o presidente do maior partido do país, o Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma (na foto abaixo, do jornal inglês "Daily Telegraph"). E abriu caminho para que ele seja eleito presidente do mais poderoso país do continente sem impedimentos, no ano que vem.

O CNA é um partido quase centenário que venceu o apartheid, que revelou Nelson Mandela e que tem um domínio tão amplo da política sul-africana que transformou as eleições presidenciais em um mero detalhe. O presidente do partido, atualmente Zuma, acaba sempre eleito presidente da República.
Zuma é um cidadão enrolado até a medula com casos estranhíssimos. O processo que acaba de vencer era sobre corrupção em um negócio obscuro de venda de armas no final dos anos 90. O juiz entendeu que a motivação sobre o processo era política.
Antes, já foi acusado de estupro. E respondeu a uma pergunta sobre como se prevenia contra a Aids num dos países mais afetados pela doença com uma frase memorável: “Eu tomo banho depois da relação sexual”.
Ele tem uma claque de seguidores barra pesada, que costumam hostilizar seus oponentes sempre que possível. No ano passado, seus bate-paus quase impediram um discurso do presidente sul-africano Thabo Mbeki, ex-aliado e atual rival de Zuma, num encontro do partido.
Zuma tem 66 anos de idade, passou dez anos preso
E ele ainda tem dois trunfos na mão. Primeiro, é da etnia zulu, uma das maiores dentro do mosaico étnico do país. Quem olha de fora geralmente divide os sul-africanos entre brancos e negros, mas na verdade mesmo entre os negros há muita rivalidade. Mandela e Mbeki, por exemplo, são da etnia xhosa, que historicamente formou uma elite entre os negros (apelidada de “xhosa nostra”). Os zulus agora vêem uma chance de se impor.
Segundo, construiu ao longo dos anos uma relação íntima com o poderoso movimento sindical sul-africano, que inferniza o governo Mbeki e, pelo menos no começo, deve dar um certo refresco ao futuro presidente.
O que esperar de um governo Zuma? Sim, porque a menos que um cataclisma ocorra, Jacob Zuma será o homem mais importante da África a partir do ano que vem.
Internamente, a política econômica tende a ser menos ortodoxa e mais voltada para o desenvolvimento e a geração de empregos, com mais deferência às demandas dos sindicatos. Um perigo num país com índices já preocupantes de inflação.
Na política externa, Zuma tem surpreendido positivamente. Recentemente, não teve medo de criticar a ditadura de Robert Mugabe, no Zimbábue, coisa que Mbeki não faz nem debaixo de vara de bambu.
Em resumo, uma presidência de Zuma será um teste para a força da democracia sul-africana. Na última sexta-feira, nas cortes de uma cidade de nome impronunciável no meio da África do Sul, pintou o próximo líder do continente.
Escrito por Fábio Zanini às 20h35
O gosto amargo de um acordo no Zimbábue
As notícias ainda são muito prematuras, mas tudo leva a crer que a oposição e o governo do Zimbábue enfim chegaram a um acordo histórico.
Pelo que foi revelado até agora, o presidente Robert Mugabe aceitou dividir o poder com Morgan Tsvangirai, o mesmo Morgan Tsvangirai que ele prometeu nunca deixar assumir o poder no país. Morgan deve virar primeiro-ministro de um governo de união nacional, numa cópia do que ocorreu no Quênia no começo do ano.
Estamos diante de uma boa ou má notícia? Pergunta difícil...
Para os milhões de zimbabuanos que passam horas em filas de caixas eletrônicos (veja foto que fiz em Harare, a capital), que não tem emprego formal e que começaram a passar fome num dos países mais prósperos da África, sem dúvida que é.
Se Morgan tiver realmente poder real nas mãos e Mugabe virar um chefe de Estado apenas para cortar fitas e descerrar placas, podemos esperar um pacote maciço de ajuda financeira internacional para aliviar o sofrimento desse povo. E debelar a inflação, que está em cômicos 11 milhões por cento ao ano (como se calcula esse índice, aliás?).
Mas é um acordo que deixa um gosto muito amargo na boca. Primeiro, porque é resultado de um fracasso. O fracasso de uma sociedade em produzir uma eleição limpa, democrática, e que respeite os resultados. Igual ao que houve no Quênia. Lá, foi impossível resolver um conflito político com base no velho arranjo de que quem ganha governa, quem perde vai para a oposição. Políticos africanos têm urticária de serem oposição. Não entendem que ser oposição, para uma democracia, é quase tão importante quanto ser governo.
Então, chega-se a uma situação de conflagração tamanha que a saída é um governo de união nacional. Longe de resolver os problemas e a disputa, essa solução perpetua e joga a crise para a frente.
Em segundo lugar, o gosto amargo vem da constatação de que Mugabe se safou de novo. Aos 84 anos, dificilmente responderá pelos crimes contra a humanidade que cometeu ao longo de décadas. Não o veremos em Haia, como vimos Charles Taylor, da Libéria, e Slobodan Milosevic, da ex-Iugoslávia.
Por fim, temo que Morgan Tsvangirai esteja entrando de inocente útil nessa história. Mugabe provavelmente manterá nas mãos pelo menos o aparato de segurança. E num Estado policial como é o Zimbábue, isso é tudo.
Mas talvez seja o preço a se pagar pela paz no Zimbábue. Quem sou eu, confortavelmente sentado em minha poltrona para dizer o que é melhor para aquelas pessoas...
Escrito por Fábio Zanini às 21h36
Aos amigos catanduvenses
Esse blog felizmente é bem-humorado. E quem me conhece sabe que eu perco o amigo, mas não perco a piada.
Mas peço desculpas aos muitos catanduvenses que reclamaram pela comparação que fiz do time local, o glorioso Grêmio Catanduvense, com as piores seleções africanas. Aliás, à galera de Birigui também, terra do Bandeirante, que estranhamente não reclamou...
Escrito por Fábio Zanini às 21h33
A maratona das eliminatórias na África
Você que acha as eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo uma maratona não viu nada.
Interminável mesmo é a disputa na África. Ali a peneira é forte pela chance de jogar no Soccer City, o superestádio para 90 mil pessoas que está sendo construído no distrito de Soweto, em Johannesburgo (veja foto).
Enquanto nós sul-americanos somos privilegiados por classificar quatro, ou até cinco países para a Copa entre dez disputando, na África serão esse ano 6 vagas entre nada menos que 53 países. Em outras palavras, enquanto classificamos 40% ou 50% dos competidores, os africanos classificarão para 2010 11% dos postulantes. E isso porque a África do Sul, por ser sede, classifica-se automaticamente, senão seriam 5 contemplados apenas.
O regulamento da fase classificatória então é inacreditável. São três fases diferentes. Na primeira, as dez piores seleções pelo ranking da Fifa fazem um mata-mata, em que sobrevivem 5. Nesse ano, foram jogos do naipe de Somália versus Suazilândia, que deve ser pior do que Catanduvense contra o Bandeirante de Birigui.
As cinco que sobrevivem juntam-se às outras 43, formando 48, que são subdividida em 12 grupos de 4. É nessa fase que estamos agora. São 6 jogos, em turno e returno, e falta apenas um jogo, que será em outubro.
Os 12 vencedores dos grupos, mais os 8 melhores segundos colocados são reagrupados em cinco grupos de quatro. Os vencedores desses grupos estão na Copa.
Vamos dar uma rápida passada pela situação grupo a grupo:
1-) Aqui é barbada. Camarões lidera folgado no grupo, com 13 pontos. Cabo Verde, em segundo com nove pontos, tem chance de pegar um dos segundos lugares, mas faz seu último jogo fora de casa contra a Tanzânia. lhas Maurício está fora.
2-) Quênia lidera com dez pontos, seguida de perto por Guiné com 8. Os dois se enfrentam na rodada final, em Conakry, capital guineense. O Zimbábue do técnico brasileiro Valinhos tem 6 pontos e depende de uma vitória fora de casa contra a Namíbia e da derrota de Guiné para continuar com chance. Mas é muito difícil.
3-) Aqui está uma das grandes surpresas das eliminatórias, o time de Benin, que lidera folgado com 12 pontos. Detalhe: no mesmo grupo está Angola, com 7 pontos, que se classificou para a última Copa e divide a segunda posição com Uganda. Mas os angolanos têm a vantagem de pegarem a fraquíssima seleção de Niger em casa na última rodada, e têm tudo para segurarem o segundo lugar.
4-) A Nigéria, hoje a segunda potência futebolística do continente (atrás do Egito), lidera disparado, com 15 pontos. Serra Leoa tem 7 pontos, à frente dos sul-africanos, com 4, que disputam a eliminatória porque ela também serve de classificação para a Copa Africana de seleções. Guiné Equatorial vem na rabeira.
5-) Grupo embolado. A Líbia lidera, com 12 pontos, enquanto Gana, uma das seleções com mais tradição no continente, e Gabão vêm em seguida com 9 pontos. Gana pega o fraquíssimo Lesoto (zero ponto) em casa na última rodada. Jogo bom mesmo será o outro, com a vantagem dos gabonenses de jogarem em casa. Como diria o Galvão, ha-ja coração!
6-) Disputa emocionante também. A Argélia lidera, com 9 pontos, seguida de perto por Gâmbia e Senegal, com 8, que jogam entre si na última rodada, em Dakar, capital senegalesa. Completa o grupo a fraca Libéria, que deu ao mundo do futebol o craque George Weah. E nada mais. ..
7-) Outro grupo disputado. A Costa do Marfim tem 9 pontos e deve se classificar, mas a briga é boa pelo segundo lugar. Madagascar tem 6 pontos, e Moçambique e Botsuana estão empatados com 5.
8-) Outra surpresa das eliminatórias, a seleção de Ruanda, cuja tradição no futebol equivale à dos japoneses no surfe, lidera com 12 pontos. A outra vaga deve ficar com Marrocos, seleção essa sim tradicionalíssima em Copas e que estranhamento está apanhando em segundo, com 9 pontos. Os marroquinos pegam a fraca Mauritânia em casa na última rodada, e espera-se que dêem um passeio. A Etiópia completa o grupo.
9-) Burkina Faso, liderando com 13 pontos, e Tunísia, com 10, devem se classificar. Burundi, com 6, e Seychelles, com nenhum ponto, terão de esperar por 2014.
10-) Este é provavelmente o grupo mais disputado de todos. Os quatro times têm chance. Mali e Congo têm 9 pontos cada. Em segundo, com 6 (ou seja, a uma vitória de distância apenas) estão Sudão e Chade (dois países que estão em estado de guerra não-declarada, aliás). A última rodada promete: Sudão vs. Congo e Mali vs. Chade.
11-) Este é um grupo esdrúxulo. Era para conter a Eritréia, mas o país é tão fechado hoje, com um governo tão esquisito, que nem da Copa do Mundo eles querem participar. Restaram três seleções: Zâmbia, que lidera com 7 pontos, Suazilândia, que tem 4, e Togo, que tem 3.
12-) Ufa! Chegamos ao último grupo. Aqui, o Egito lidera absoluto, com 12 pontos, três a mais do que a República Democrática do Congo e o Malawi. O Djibouti tem zero, o que significa que jogar no calor infernal de lá não dá a mesma vantagem que a altitude dá à Bolívia.
Cruzem os dedos, roam as unhas. Minha aposta para os cinco classificados é conservadora: Egito, Nigéria, Marrocos, Tunísia e Camarões.
Qual a sua?
Escrito por Fábio Zanini às 23h23
Um prêmio para Pé na África
Pé na África ganhou hoje o Prêmio Folha do bimestre de maio/junho. É a principal premiação que o maior jornal do país concede a seus profissionais, e é extremamente raro que um blog saia vencedor.
Agradeço a todos que me ajudaram a tocar o projeto e a não desistir dele, mesmo quando as conexões de internet no Zimbábue ou na Etiópia me levavam às raias da loucura.
Agradeço à minha família, à namorada (chamada de patroa aqui, para desespero da minha mãe), aos amigos e à direção da Folha, principalmente o diretor da Sucursal de Brasília, Melchiades Filho, maior incentivador da idéia.
Sobretudo, divido esse prêmio com meus leitores. Nas pessoas de Malu Filezio, Elias Filho e Antonio Mendes, os mais assíduos, agradeço a todos.
Escrito por Fábio Zanini às 20h25
Uma chance perdida em Angola
Não foi o que se esperava a eleição legislativa em Angola, a primeira que o país viveu em 16 anos.
Pode parecer incrível, mas é uma votação para acabar com o que deve ser a mais longa legislatura da história. Deputados eleitos em 1992 continuam deputados até hoje.
Por isso tanta expectativa e por isso tanta decepção. O continente inteiro estava olhando para o país de língua portuguesa na costa do Atlântico, que vem registrando níveis extraordinários de crescimento. Mas o que se viu foi caos, segundo o relato de agências internacionais.
Em Luanda, a capital, seções não tinham cédulas. Onde havia cédulas não havia mesários. Onde havia mesários não havia as cabines indevassáveis. Onde tudo estava completo, as filas eram gigantescas. Muita gente desistiu e foi para casa sem votar. Isso na principal cidade. Nem quero imaginar o que aconteceu no interior do país, nas áreas remotas, onde o risco de pisar numa mina terrestre certamente foi um fator a mais a dissuadir pessoas de saírem de suas casas para votar.
(A foto abaixo, de uma eleitora que certamente passo sufoco para votar, é cortesia da agência da ONU.)

A eleição de Angola lembra em alguns aspectos o que aconteceu no Quênia no final do ano passado. Muita esperança de finalmente um pleito limpo e competitivo. E um grande tombo de quem acreditou.
É evidente que nem tudo é negativo. Acompanhei à distância esse pleito com grande entusiasmo, e por isso vou me esforçar aqui para enxergar os lados positivos desse grande exercício democrático (quer dizer, nem tanto).
Vejamos: bem ou mal, foi uma eleição, o que em si já é um fato impressionante nesse país. A campanha foi livre, apesar da máquina estatal trabalhando pelo MPLA, o partido do governo. Mas não houve perseguição ou intimidação à oposição.
Além disso, um retorno à guerra civil é impensável (toc-toc-toc). Não há mais estômago para um conflito, e a sociedade angolana hoje tem um desejo insaciável por estabilidade. E há o petróleo lubrificando os bolsos da elite, inclusive da oposição.
Mas não há como brigar com os fatos. Observadores internacionais ainda não se pronunciaram definitivamente, mas até agora se recusaram a dar um ok definitivo para o processo. O resultado é decepcionante para quem esperava o surgimento de uma oposição forte, capaz de fiscalizar um governo arrogante e superpoderoso. O MPLA vai ficar com cerca de 80% das cadeiras no Legislativo, enquanto a Unita, principal partido de oposição, terá mais ou menos 10%.
No ano que vem, teremos eleições presidenciais. O presidente José Eduardo dos Santos, no poder há pouquíssimo tempo (apenas 29 anos) vai se candidatar de novo. E vai vencer de maneira acachapante.
Não há dúvida que a cultura política em Angola fez avanços nos últimos anos. Mas estamos muito longe ainda de um país genuinamente democrático, como essas eleições mostraram. Uma pena.
Escrito por Fábio Zanini às 20h05
Uma nova teoria para a Arca Perdida
Essa quem me mostrou foi o colega Igor Gielow.
Acamado por uma das selvagens viroses que acometem os brasilienses nessa época de seca, gastando horas em frente à televisão, calhou de assistir a um programa intrigante em um de seus canais favoritos, o The History Channel.
Era um programa especial sobre uma nova teoria para o desaparecimento da Arca Perdida, aquela que teria guardado as tábuas com os Dez Mandamentos recebidos por Moisés no Monte Sinai. Um pesquisador acha que finalmente descobriu onde ela está guardada. Não no Oriente Médio ou no Egito, nem mesmo em Aksum, no norte da Etiópia, para onde teria sido levada por um descendente do rei Salomão (visitei a cidade em junho; veja abaixo foto da capela onde estaria guardada, sob a vigilância constante de um monge).
Nada disso. Teria sido encontrada em Harare, a capital do Zimbábue, esquecida num museu poeirento, por um professor meio amalucado, mas bastante respeitado no meio acadêmico, chamado Tudor Parfitt. Que, aliás, pertence à School of Oriental and African Studies (Soas) da Universidade de Londres, onde eu fiz meu mestrado (mas não lembro dele).
A teoria de Mr. Parfitt é surreal e parece retirada de “O Código da Vinci”. Mas o sujeito apresenta dados intrigantes. Mereceu uma reportagem da revista Time em fevereiro, que você pode ler aqui:
http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1715337,00.html
A história começa nos anos 80, quando Parfitt estudava uma etnia que vive na região sul da África, os lemba. É um povo com cerca de 70.000 indivíduos espalhados por África do Sul, Moçambique e Zimbábue que jura ser descendente do povo judeu. Durante a diáspora judaica, cerca de 2.500 anos atrás, os lemba teriam iniciado uma longa marcha, primeiro em direção ao Iêmen, depois cruzando o mar Vermelho para o leste africano e depois se estabelecendo no sul do continente.
No final dos anos 90, pesquisas em DNA mostraram semelhanças genéticas entre indivíduos lemba e descendentes de antigas tribos judaicas. Além disso, os lemba têm alguns costumes parecidos com os do Judaísmo, como fazer a circuncisão masculina e até colocar uma estrela de Davi em sepulturas.
A Arca teria sido trazida com eles, segundo a tradição oral dos lemba. E ela na verdade não teria um formato retangular, como se esperaria, mas circular, parecida com um tambor, chamado de ngoma. O tal ngoma é o objeto que o professor encontrou no museu de Harare, e que teria poderes divinos, assim como a Arca do Velho Testamento.
Há dois problemas para essa teoria, no entanto: primeiro,não há referência a um formato circular ou de tambor na Bíblia, embora haja referências ao rei Davi dançando na presença da Arca, por exemplo.
Segundo, e mais complicado ainda, testes de carbono mostraram que o tal tambor é do ano 1.350 DC, velho pra burro, claro, mas bem mais novo do que seria a Arca antiga. Mas o professor Parfitt não se abala: sua explicação também é baseada na tradição oral dos lemba, pela qual a Arca original teria sido destruída e foi reconstruída em suas ruínas.
A teoria é bastante improvável, como se pode ver. A Arca Perdida, se é que realmente existiu, provavelmente jamais será encontrada. E não deixa de ser irônico que, de todos os lugares do mundo, pode ter aparecido logo no Zimbábue.
Escrito por Fábio Zanini às 20h09
Contagem regressiva em Angola
Angola vai às urnas na próxima sexta-feira numa eleição histórica, para os membros do Legislativo. É a primeira desde 1992, quando o que seria uma demonstração de força das instituições democráticas acabou resultando no recomeço de uma guerra civil que já era sangrenta àquela altura.
Agora, não há mais esse risco, até porque os governistas do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) venceram de maneira decisiva a guerra contra seus arquiinimigos da Unita (União Nacional pela Independência Total de Angola).
Nominalmente marxista, o MPLA governa há 33 anos e sua ideologia hoje tem mais a ver com petróleo, carros de luxo e bebidas importadas. Mas não importa: deve vencer a eleição facilmente, com a Unita num distante segundo lugar, contente em ser uma espécie de oposição eterna. Mais ou menos como era o PT uns dez anos atrás.
Os dois partidos hoje fazem seus atos de encerramento da campanha. Ambos em dois cantos opostos de Luanda, a capital. Por ser uma área tradicionalmente de apoio ao governo, espere uma presença maior de eleitores no comício do MPLA.
A campanha foi relativamente calma, apesar das acusações da oposição de uso ilegal da máquina oficial pelo partido governista, o que é quase uma obviedade num país
Para quem se interessar pelo assunto, aí vai uma boa sugestão de leitura, que você acessa no link abaixo.
É o trabalho de conclusão de curso da jornalista Juliana Borges Pontes, formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, intitulado "Filhos da Guerra". É de três anos atrás, mas permanece uma atualíssimo relato sobre o difícil processo de reconstrução desse país.
Escrito por Fábio Zanini às 20h11
A ofensiva de um regime genocida no Brasil
Dia desses esteve por aqui uma figura interessante, o vice-ministro das Relações Exteriores do Sudão, Ali Ahmed Karti (na foto abaixo, feita pelo colega da Folha Sergio Lima).
Veio com uma missão: defender o indefensável. No caso, a política de seu chefe, o presidente sudanês, Omar Al Bashir, para a região de Darfur.
Darfur é uma área do tamanho da França que fica no oeste do Sudão e que há cinco anos ganhou a atenção da mídia mundial como palco do primeiro genocídio do século 21. Milícias árabes aliadas ao governo lançaram uma campanha de extermínio contra grupos de africanos negros que vivem parcamente da agricultura numa região desértica. Estima-se em 200.000 o número de mortos e em 2 milhões de refugiados.
Em julho, Bashir fez história ao ser o primeiro chefe de Estado a ser indiciado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional. A corte mandou às favas a jurisprudência internacional que dá imunidade a presidentes. Uma grande notícia.
Em reação, o líder despachou seu funcionário Karti numa turnê internacional para tentar limpar sua barra. O roteiro inclui América Latina, Ásia e África, apostando numa solidariedade terceiro-mundista contra o imperialismo internacional. Um discurso com cheiro forte de naftalina, mas que incrivelmente ainda funciona.
Na semana passada foi a vez de Brasília receber o ilustre visitante. “O indiciamento tem motivação política. Em Darfur há reservas de urânio, petróleo, as pessoas sabem o que está acontecendo”, disse ele em entrevista coletiva, segundo reportagem escrita por meu colega Iuri Dantas, na Folha.
Ainda segundo o relato de Dantas, Karti foi recebido pelo assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Os dois teriam dito que o Brasil vai apoiar iniciativas que levem paz à região, mas não se comprometeram em relação ao processo do tribunal.
Se foi esse o caso, foi um avanço da diplomacia brasileira, que tem uma tendência preocupante de ficar sempre do lado errado quando o assunto é Darfur. A ponto de mais de uma vez, em fóruns internacionais, ter se esquivado de votar favoravelmente a resoluções contra o massacre, com o surrado argumento de não-interferência nos assuntos internos de outros países. Isso quando até o governo de George Bush, que depende do petróleo que jorra no Sudão, já ter declarado que aquele genocídio é, bem, um genocídio (deveria ser óbvio chamar genocídio de genocídio, mas nem sempre funciona assim).
Karti foi embora, mas o trabalho de relações públicas do Sudão está apenas começando. Bashir não se entregará tão fácil.
Escrito por Fábio Zanini às 20h44

Fábio Zanini